domingo, 27 de janeiro de 2013
UM NOTURNO CÉU DOURADO
E centenas de famílias mergulhadas na mais profunda das trevas. Viverão, de hoje em diante na mais completa escuridão, que nem sequer a chama de uma vela poderá iluminar.
Duzentos e quarenta e cinco jovens mortos; quarenta e oito hospitalizados, vivenciando não só a dor física, pois só quem já trabalhou com grandes queimados pode avaliar o sofrimento de uma queimadura, mas também a dor da perda, pois com certeza, muitos amigos, namorados(as) e irmãos tiveram suas vidas perdidas.
Acredito que não tenha uma só pessoa em nosso país que não esteja tocado pela emoção causada pelo trágico incêndio em uma casa noturna, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Impossível ficar indiferente.
Mas este post não vai se ater ao sofrimento. Vou deixar aqui registrada a minha indignação, a minha perplexidade (se é que ainda posso ficar perplexa ante o descaso com o cumprimento das leis de segurança em edificações), a minha raiva não contida diante dos gananciosos que querem ganhar mais por menos e não investem o mínimo necessário para garantir que as pessoas possam se divertir sem correr o risco de acabarem mortas, com seus corpos incinerados, deformados, muitas vezes, impossíveis até de serem reconhecidos pelos seus familiares.
Ausência de saídas de emergências adequadas e em número compatível; permissão para shows pirotécnicos em ambientes fechados; excesso de frequentadores e pasmem, o pior de tudo, o impedimento das saída das pessoas antes de pagarem suas comandas.
É isso, vidas em trocas de comandas não pagas. Vidas que se foram pois a ceveja não foi cobrada.
Que dizer de um proprietário, gerente ou qualquer outro canalha qualquer diante de atitude tão descabida? Como entender os seguranças que impediram que os jovens saíssem porque estavam cumprindo ordens? O que é isso? São discípulos de Hitler que justificavam seus atos insanos porque apenas cumpriam ordens? Só posso pensar que a bestialidade humana não tem limites e que o homem continua mais e mais desumanizado, tudo em nome do dinheiro.
Aos responsáveis por essa desgraceira, não tenho clemência. Se fosse eles atearia fogo em seus próprios corpos. Mas isso com certeza não irá acontecer. A essas alturas, já devem estar muito longe de Santa Maria, cercados de "ótimos" advogados que vão, com certeza, livrar-lhes as caras e que serão régiamente pagos pelas comandas cobradas daqueles que conseguiram pagá-las para ter o direito à salvação.
A eles, desejo a danação do inferno. Sem dó nem piedade. Simples assim.
HOJE NÃO TEM FOTOS. ESTOU DE LUTO.
sábado, 26 de janeiro de 2013
A TIA
Quase todo mundo tem pelo menos uma tia. Eu tenho a minha. Dulce e Rosangela tambem tem uma. Cada uma com suas particulariedades. Algumas com histórias de vida plenas de sucessos;outra que viaja sempre para Paris e nos tráz sempre como lembrancinha uma miniatura da Torre Eiffel (tão bom se ela trouxesse pelo menos um Chanel nº 5); outras, não tão sortudas, fizeram um casamento ruim, arranjaram um monte de filhos, foram abandonadas e tiveram que agarrar a vida com as mãos nuas e tocar para a frente.
A tia das minhas amigas é assim. Sem muita instrução formal, casou, teve cinco filhos, o marido nunca foi bom nem para ela, nem para os filhos, acabaram por se separar.
O miserável não ajudava com um mísero centavo e não restou outra opção para tia: vamos à faxina.
Foi assim que ela foi parar na casa de Dulce, onde os laços se estreitaram e ela agora, já com os filhos crescidos tornou-se uma segunda filha para minha amiga. Não é só a "faxineira" (trabalho bem digno, por sinal). Acompanha a família em passeios, é parceira de todas as horas.
É uma mulher de corpo grande, simples, mas dona de uma delicadeza, de um jeito tranquilo, de uma capacidade de enfrentar os revezes da vida sem se tornar amarga ou revoltada.
Não há muito tempo, travou uma batalha contra um câncer e sua força de vontade de continuar viva foi fator primordial para remissão de sua doença.
Infelizmente tem o dedo podre para escolher maridos. O segundo valia menos que um palito de fósforo queimado. Chegado a uma "caninha", violento, uma amante atrás da outra.
E a tia calada, muda que nem parede, só vendo e ouvindo.
Até uma noite em que ela resolveu dar um basta, mas ao jeito dela.
Esperou o sujeito chegar da gandaia durante toda a noite. Ele ainda teve a cara de pau de trazer junto consigo, além do bafo da bebida, uma "amiga". Tia nada disse, só pediu que a "dona" fosse embora.
Sozinha com ele, colocou-o na cama, deixou-o dormir e aguardou que o porre passasse.
Esperou pacientemente por horas, afinal uma bebedeira custa a passar.
Quando o canalha finalmente acordou, ainda sob o efeito da ressaca, ela avisou: "agora, que você acordou, você vai apanhar". E ela bateu, deu-lhe uma surra de criar bicho. Deixou-o estirado no chão, já com a malinha pronta para que ele sumisse de suas vistas.
Feito isso, muito calmamente, se arrumou e foi à delegacia. Lá contou à delegada o que tinha feito e ainda deu a explicação final: "doutora, deixei o porre passar para depois surrar, porque não se bate em bêbado".
Nunca mais teve notícias dele, que não era bobo nem nada para levar outra camaçada de pau.
Recentemente perdeu seu filho mais moço, num acidente de caminhão. Garoto jovem (24 anos). Nem vou me ater aqui sobre a sua dor, pois esse sofrimento é indescritível. Mas pensam que ela se revoltou, se colocou contra Deus, questionou o porquê de tantas desgraças? Aceitou, faz parte da vida, cada um com seu fardo e o dela é bem grande, mas suas costas são largas e ela o leva, pois se deixá-lo no chão ninguém vai recolhê-lo e levar para ela. Grande tia Araci. Tenho a felicidade de conhecê-la, faz a gente ver a vida sob outro foco.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
A FAMÍLIA ALVES DE LIMA
Continuando a história de minhas amigas, é impossível passar por ela sem conhecer seus pais.
Assim, Dulce é a cópia cuspida e escarrada do pai, seu Reinoldo. Rosangela é a versão mais nova de dona Dinorá e Giovani é uma mistura bem sucedida dos dois.
Vamos começar pela matriarca. Origem humilde, quando moça trabalhava em casa de família.Dotada de uma beleza serena, quase clássica, mignom, delicada nos gestos e nas palavras.
Cozinha que é um espetáculo, faz uns sonhos que só ela! Nunca a conheci com cabelos pintados, assumiu seus fios brancos e isso só lhe confere um ar de classe, ao contrário do que se imagina, não a torna mais velha.
Tem uma elegância que independe de classe social ou cultural, jamais a ouvi dizer um palavrão, nem um banal "merda". É simples sem ser simplória, sua essência é humanamente humana, se é que essa expressão existe.
Já seu Reinoldo é o avesso, o lado contrário. Descendente de bugres, atarracado, uma caixa de geladeira (não a duplex), moreno, falador, dono de um senso de humor invejavel, mas capaz de sentar uma chulapa em quem lhe desaforar.
Era caminhoneiro e sua escola foi a vida. Não tem a finesse da esposa, os rapapés sociais. É o que é, quem gostar, gostou. Se não gostou mude de lugar.
Hoje, já aposentado, tem como paixão um "fusca" bege. Tá "zero bala", como ele diz.
Recusa-se a usar celular, o que é motivo de preocupação das filhas, principalmente quando ele resolve se aventurar pelas estradas com seu possante.
Para tudo tem uma tirada bem colocada. Assim, agora quer que o genro construa uma "redícula", com "val de entrada" e detalhe, como ficará perto da churrasqueira, a fumaça não poderá em hipótese nenhuma entrar no ambiente.
Quando ele conheceu a mocinha Dinorá, ela era noiva de um sujeito que segundo ele, não valia nada, era chegado num carteado. Foi incisivo, fez ela romper o compromisso, já estava apaixonado. Tão apaixonado que aguentou um namoro sem dar um beijo sequer.
Antes da cerimônia ainda tentou roubar um ósculo da noiva, mas ela foi taxativa:"quem esperou até agora pode esperar mais umas horas". Ele esperou.
Após o casório a família da noiva sugeriu que ela ficasse em casa e ele fosse para o hotel. Onde já se viu? Agarrou a já esposa pelo braço, enfiou-a dentro do caminhão e rumou para a tão sonhada lua de mel.
Deve ter sido de arromba, imaginem só quantos beijos guardados durante meses. Não quero nem pensar no resto da noite. O fato é que na manhã seguinte estava tão acabado que caiu da escada e estropiou-se todo.
Como ele precisava trabalhar, juntou o útil ao agradável. Enquanto transportava carga, desfrutava os primeiros dias de casado.
A mala com o enxoval da noiva ia amarrada em cima do caminhão. Talvez, por ter se excedido na volúpia, não amarrou bem a bichinha, que acabou criando asas e saiu voando estrada afora.
Foi um desespero. Dona Dinorá não era mulher de dormir sem camisola, coisa mais indecente, ora veja!
Mas seu Reinoldo não se desesperou. Como ele diz, todo caminhoneiro se conhece e assim ele foi investigando pela rodovia até encontrar a dita mala, agora bem segura em cima de um caminhão tanque.
Estão casados a mais de 50 anos. Nem tudo foi veludo sobre azul. Houveram períodos difícieis, mas passaram. Agora desfrutam o conforto que as filhas, todas bem sucedidas, podem lhes dar. E elas dão com prazer. Família unida, tão raro nos dias de hoje. Tão bom estar com eles, rirmos juntos, comermos até nossas barrigas estourarem, bebermos até aquele ponto em que nos tornamos mais alegres que o normal, porém, sem a chatice dos que não sabem a hora de parar.
Tudo junto e misturado: filhas, genros, netos, namorados, amigos e quem mais aparecer.
Se voltaremos? Precisa perguntar????
BODAS DE CRISOPÁZIO
Alguém sabia que 27 anos de casamento são representados por uma pedra azul esverdeada, chamada de crizopázio? Pois é, eu não sabia, assim como não sabia que meus onze anos de casada significam bodas da aço.
Muitas vezes uma amizade pode valer tanto quanto um casamento (um bom casamento, que fique bem claro).
Não sei exatamente o motivo, mas nunca escrevi nada sobre as minhas melhores amigas, na verdade nem mais amigas são. Somos uma irmandade que comemora neste ano 27 anos de convivência.
A tal pedra de nome difícil tem, segundo os estudiosos do assunto,o poder de ativar, abrir, energizar o chakra cardíaco. Passa e estimula confiança e solidariedade.
Muito apropriada essa pedrinha, para celebrar tantos anos de uma amizade que não se desfez com o tempo, com a distância, com os rumos diferentes que a vida tomou.
Conheci Dulce em 1986, numa festa. A mim, num primeiro momento, me pareceu moça rica, vindo do interior, morando com uma empregada que cuidava de suas coisas. Bem arrumada, fazia vista. Bonita, um sorrisão de dentes perfeitos, olhos esverdeados. Magra, mas não muito. Diria que era e ainda é uma magra socada, não faz o tipo mignon. Dona de uma força só comparável a de seu pai. Sempre que queria fazer alguma mudança nos móveis lá de casa, bastava chamá-la, suas mãos suatentavam o peso de qualquer armário. Éramos ambas solteiras, e nos tornamos inseparáveis. Amigas de baladas, de chorar uma no ombro da outra,de emprestar roupas. Divertidíssima, Dulce. Topava qualquer parada. Não era rica como pensei a princípio. Pelo contrário, era de uma família classe média, lutava com dificuldade.Vinha de Guarapuava para Curitiba para estudar, mas ainda não havia conseguido entrar para a faculdade.
Só alguns anos mais tarde conseguiu com muito esforço se formar em Educação Física. Bem diferente de mim, que sempre tive tudo com facilidade e só comecei a trabalhar aos 28 anos.
Tempos depois, já com a amizade consolidada, conheci sua irmâ, Rosangela. Diferentes como a água do vinho. Enquanto Dulce era despachada, pândega, Rô, de beleza mais clássica, de pele alva e cabelos pretos (quase uma Branca de Neve) era uma rosa de estufa. Muito calma, serena, delicada, de pouco gosto pela vida noturna. Recatada, na verdade. Tivera uma filha ainda muito jovem, que ficara em Guarapuava, com os avós enquanto ela tentava dar rumo em sua vida, estudando e trabalhando em Curitiba. Sempre gostou de moda, então abriu uma loja, fez faculdade de Economia e permanece no mundo fashion. Nunca se casou. Sua filha, hoje advogada, tem a beleza de uma Penelope Cruz, é seu oposto em gênio, em forma de viver. É mulher contemporânea, dona de seu nariz, faz e acontece.
Formamos um nó que nunca mais foi desatado.
Elas ainda têm outra irmã, a mais nova, Giovani, belíssima, mas com ela pouco convivi, pois casou-se muito cedo, acho que com 17 anos e nunca deixou sua cidade. Menina lutadora, teve três filhos, passou por inúmeras dificuldades financeiras, mas superou-as todas e hoje é formada em Psicologia.
Dulce, bem, a danada casou-se muito antes de mim. Acabaram-se as nossas noitadas de bagunça, de risadas. Fui madrinha de seu casamento e madrinha de coração de sua única filha, Nicole, criatura de ouro, a filha com que qualquer mãe sonha. Difícil acreditar, mas tem muito de mim. Não no temperamento ou personalidade (graças a Deus), mas nos gostos, nas preferências culturais. Adoro-a.
No começo custei a gostar do seu marido. Curitibano dos bons, cheio de preconceitos, das firulas.Com o tempo, mudou. Alíás, acho que Dulce o fez mudar. É uma pessoa incrível, um querido, que hoje meu marido considera como um de seus melhores amigos.
Em 1991 Rosangela morava comigo, mas eu precisei voltar para Blumenau. Pensei, essa amizade já de tantos anos vai se escoar pelo ralo da vida. Não foi assim. Nunca perdemos o contato, jamais deixamos de nos ver, sabemos quando uma de nós não está bem só por intuição. Temos a certeza de que nunca nos abandonaremos.
Esse final de semana o passamos com Dulce e sua família em sua casa de praia. Recém construída, linda e aconchegante. Seus pais também estavam lá. O tempo colaborou, não saíamos da piscina, alías, só o faziámos para comer, um festival pantagruélico de camarões e churrascos que me custou dois quilos a mais na balança.
Nosso encontro foi comemorado com o refinamento do crisopázio: um brinde com champangne na pérgula da piscina.
Ainda tem muita história, mas vamos aos poucos que o santo é de barro. Amanhã tem mais
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
HOJE É OUTRO DIA
Sempre que eu iniciava meus cursos de História da Arte, os alunos, indefectívelmente demonstravam claramente seu tédio. Não adiantava disfarçar, suas caras "muchibentas" não deixavam dúvidas: História da Arte é um saco!!!!
Ai que engano!! E graças a Nossa Senhora Monalisa, logo eles percebiam que o estudo da Arte é o melhor modo de se conhecer a história do mundo.
Através dela faz-se uma viagem por tudo o que aconteceu no planeta, desde os primórdios da humanidade e isso pode ser feito com paixão, com uma puta tesão cuja consequência é quase um prazer orgástico.
Se podemos contar a trajetória do mundo através dos artistas, também podemos fazê-lo com as nossas vidas.
Eu não falei que hoje eu poderia estar colorida como uma palheta de van Gogh?
Pois não é que estou mesmo? O dia já amanheceu ensolarado, amarelo como seus Girassóis.
A tristeza, a incompreensão, o inconformismo de ontem ficaram nas tintas soturnas de Edvard Munch, na sua mais clara versão do expressionismo. Eu não gritei, mas a obra o fez por mim.

O que resta é se desnudar, posar para Modigliani, para que ele possa ver através da nudez a nossa alma.
E se é para fazer isso senhor Modi, por favor, me pinte com olhos, pois quero ver tudo, ainda que de uma forma meio desfocada, ainda que sejam apenas impressões.
Se é para ir ao inferno, quero abraçar o Diabo, porque sei que ele me fará ver o mundo com cores fortes, puras, violentas, despertará em mim a "fauve" numa "Dança" frenética que por fim me esgotará e me trará de novo à normalidade.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
1000 TONS DE CINZA
Nunca entendi o título desse livro, talvez porque não tenha tido motivação para lê-lo. Acompanhei todas as críticas e confesso, o assunto não me interessou. Então não li e como não li, não posso julgar. Também não é sobre ele que quero falar, apenas utilizei o mote do seu título para discorrer sobre outras coisas e são tantas que 50 tons seriam poucos.
Cinza, para mim é sempre uma cor um tanto deprimente. Lembra rato, limbo, penumbra, pré-tempestade. É a cor que as antigas viúvas usavam após passar o tempo do luto fechado. Mas ela também pode ter um outro viés, elegante, fino e por ser neutro, combina com tudo. Mas isso é tema para outro post.
Hoje quero escrever do cinza tristeza, funerário, das mortalhas que cobrem defuntos, da melancolia que provoca um dia sem sol. Cinza, hoje te odeio, com todas as forças da minha alma acinzentada.
Tudo em minha volta carece de luz, de brilho. Estou cansada, principalmente das pessoas.
Cansei da falta de educação, de ética, de bom senso, de delicadeza. Estou esgotada de correria, de ver milionésimos de segundos uma imagem na televisão, não aguento música sertaneja tocada em altos brados, não suporto vizinho que joga cabelo e pentelho pela janela do banheiro e ainda usa um lençol caindo aos pedaços como cortina.
Mas isso são firulas se comparadas às verdadeiras desgraças. A essência do homem é maldosa, é maledicente, é dotada de um prazer mórbido em prejudicar o outro, mesmo que o outro seja seu vizinho de porta, mesmo que que o outro seja um pobre animal abandonado pela rua que é apedrejadao por uma cretina porque, em não tendo casa e muito menos um banheiro revestido de mármore, faz cocô na calçada do prédio onde a sujeita trabalha.
Já subi em todos os meus saltos, rodei todas as minhas baianas, já tentei também lidar com as pessoas usando a boa educação, o fino trato. Bobagem, nenhuma opção deu certo.
Então quero ir embora. Quero ir para um lugar onde não exista gente, com suas caras cinzas, com aquela cor característica de quem está a morrer de câncer. Não, não são as suas caras que estão "gray". São seus espíritos, suas vidas pobres e podres, suas infelicidades que querem contaminar a todos como uma peste bubônica.
Se este lugar existe? Não sei. Vi numa pesquisa que a Dinamarca é o país com o maior número de pessoas felizes. Não levo isso muito a sério, felicidade é um conceito muito subjetivo para ser contabilizado, mas quem sabe é uma possibilidade.
Desculpem, estou tão cinza que não quero nem ilustrar esse post com figurinhas. Amanhã quem sabe. Pode ser que eu acorde me sentindo uma palheta de cores de van Gogh.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
"VOU VARRENDO, VOU VARRENDO...."
Estamos vencendo afinal! O front da batalha é duro. Inimigos escondidos aparecem quando você menos espera, mas aos poucos, com minha super vassoura e meus soldados, vou dando conta.
Até ontem já tínhamos enchido até o limite um container de tralha. Já tiramos também mais de 30 sacos de 150 litros de lixo e ainda não acabou. O que estava dentro da casa já se foi, agora é questão de limpar, porém no quintal, ainda há muita coisa para ser despachada
Acho que preciso urgentemente encontrar "mãe Lucinda". Se alguém souber dela, por favor, me avise. Ofereço recompensa.
Não consigo atinar como é que uma só pessoa possa acumular tanta sujeira em uma casa tão pequena.
Dizer "sujeira" é elogio. Sujeira era o que eu via, junto com bagunça, objetos quebrados, largados em qualquer canto. O que eu não via era a "porcância", escondida dentro de armarios, atrás de móveis. Sim, porque há uma diferença entre sujeira e imundície e a minha batalha agora é contra a segunda.
O preço dessa luta? Um corpo cansado, moído. Hoje dormi até perto do meio dia, ainda nem almocei.
Agora vou me deter na cozinha. Os armários já foram limpos, o bercário dos ratos definitivamente explodidos. Agora é varrer e colocar no lugar os apetrechos que comprei ontem. Sim, tive que comprar tudo novo, pois não sobrou sequer um prato inteiro.O que não estava carcomido pela nojeira, estava quebrado. Preferi poupar minhas mãozinhas do detergente.
Resolvi que na casa ficará o mínimo de coisas. Assim, deixei um sofá, uma cama, dois armários na cozinha, um fogão (geladeira não, ela foi tombada em campo de batalha) e uma enorme mesa de oito lugares. Não sei para quem prepararei esse banquete. Talvez para os cachorros,quando vier o dia da vitória final.
Quando comecei esta empreitada tinha sonhos absurdos de poder, se não reconstruir, mas dar uma boa maquiada na casa. Ledo engano. A medida em que ia limpando e tirando os restos mortais, ia aparecendo uma estrutura que não tem mais como ser consertada.
O que voces pensam? Passar por uma enchente, um incêndio e depois cair nas mãos do "tragédia humana" não é para qualquer um.É preciso ser muito macho para ainda se manter de pé.
Portanto, estou me limitando a deixar tudo o mais limpo e usável possível.
Ia trocar os vidros das janelas. Desisti. O plástico saiu bem mais barato. Pensei em colocar um forro no teto. Também desisti, vou só cobrir com lona. Cortinas? Sim. Aproveitei umas velhas que eu tinha, mas nada de varão, vão ser fixadas mesmo é com tachihnas. Minimalismo puro, Mies van der Rohe ia amar.
Cheguei a dura conclusão que não adianta dar murro em ponta de faca, mas sei, tenho certeza de que um dia é para lá que voltarei, depois de colocar tudo abaixo e reconstruir uma nova casa.
Agora é esperar que o tempo mude (aqui tem pouco sol, muito vento e não está calor), para montar minha piscininha de "prástico com fundo de plastilha" e ficar me bronzeando enquanto meu marido assa uma carninha numa churrasqueira improvisada e toma uma loira estupidamente gelada, tirada diretamente da caixa de isopor.
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